A atuação dos pais na escolha da profissão dos filhos deve merecer todo o cuidado e
atenção, dado que a maioria dos jovens não conhece as suas próprias aptidões e não
possui informações básicas sobre cursos, profissões ou até mercado de trabalho.
Sabemos, à luz da Doutrina racionalista cristã, que a finalidade da vida não é
principalmente vencer no campo material, mesmo quando tal seja conseguido triunfantemente
por seus meios próprios. Vida é evolução. Se o princípio central da Lei é a
evolução - tanto que "evolver" é sinônimo de "ser" - e não é
possível senão como movimento do progresso, evolução tem que ser o conceito basilar de
valores éticos. A vida contém e pode produzir valores eternos: o seu escopo é
enriquecer-se deles cada vez mais. Ela tem uma meta: depois de havermos apreendido a
produzir e entesourar nas formas caducas da Terra deve, agora aprender a produzir e
entesourar no espírito.
É dever dos pais assistir aos filhos, não somente na escolha da profissão, mas
avançarem, além disso, em busca da acertada escolha entre as suas bases evolutivas
disseminadas no campo da vida, daquela que mais convém e satisfaz a cada ser. Profissão
ou via evolutiva, no entanto, dependem da escolha do jovem e, para que represente sucesso
seguro, precisa ser bem escolhida, o que só será possível por uma vontade
inteligentemente capacitada ao fazer.
Na opinião da Psicologia Experimental, existe uma vontade primordial, irredutível a
outros processos psíquicos. À luz do Racionalismo Cristão eu chamo isto de memória
espiritual, representada pela sobrevivência do espírito que reencarna em novo corpo
físico, trazendo todas as experiências obtidas em diversas reencarnações e que
despertam através de sua memória psíquica, de acordo com suas necessidades presentes.
Jovem filho, velho espírito precisa encaminhar-se na vida, para o que deve contar com a
assistência e orientação dos pais. Estes, para permitir ao filho uma acertada escolha,
considerados seus interesse econômicos e evolutivos, terão que lhe oferecer todos os
elementos de que precisa para bem decidir. Se houver uma vocação definida, esta será o
objeto da escolha. Se não houver, precisará descobri-la. Os pais, tornados educadores
inteligentes e metódicos, na consulta ao registro das tendências mais significantes,
desde a primeira infância até a maturidade da juventude, poderão perceber o que será
mais aconselhável ao filho: se Curso Básico ou Profissionalizante, respeitando a sua
capacidade de ação, suas tendências afetivas e necessidades, devendo orientar, mas não
definir. Jamais os pais deverão projetar-se nos filhos, querendo através deles
conquistar aquilo que não conseguiram enquanto jovens. Quantos doutores frustrados seriam
ótimos artesãos, desenhistas, agrônomos, mecânicos ou semelhantes? E por quê? Por
terem sido levados pelos pais a escolherem a carreira que eles gostariam de ter trilhado.
A verdadeira ajuda que pais e educadores precisam ter em mente é que a profissão
escolhida precisa primeiramente estar enquadrada na chamada Ética Universal que espelhem
as leis que regem o Universo. Se a profissão estiver dentro dos preceitos da ética,
qualquer que ela seja deverá ser aceita e estimulada. Deverão estar atentos para uma
escolha que represente ganância insaciável, despotismos governantes, disseminação
falada ou escrita de costumes degenerados, apelo sexual e outros semelhantes. Manda a
razão saudável e reta que os pais reprimam e até dificultem estas escolhas. Assim como
devemos respeitar o livre-arbítrio, temos a obrigação de mostrar que através de uma
atividade econômica o espírito evolui ou pode perder uma preciosa encarnação.
(A Autora é Pedagoga/Orientadora Educacional - julho de 2004)