
Qual o melhor momento para se casar?
Jurandir Pereira
Este tema, além de instigante, reveste-se de relevância nas vidas das
pessoas. No primeiro período, habitualmente pelo namoro, dois seres se
encantam e descobrem, um no outro, valores ou qualidades notáveis para a
entrega recíproca, o primeiro passo do processo de atração, traduzido às
vezes como amor à primeira vista, quando muitos estudiosos do assunto
dizem que a libido entrou em atividade com seu poderoso domínio. Com a
positivação da simpatia mútua, há de se considerar a chegada da hora de
raciocinar sobre a execução dos objetivos essenciais. Então, abre-se
questão de quando se casarem. Certamente os simpatizantes "devem
ponderar estar ou não prontos para as responsabilidades do casamento. Se
as respostas forem desanimadoras, talvez seja melhor esperar mais um
pouquinho até que a decisão fique mais clara. Não se sentindo
preparados, talvez seja melhor curtir um pouco mais o namoro e deixar a
decisão para mais tarde".
O casamento obviamente implica o regime de vivência pelo qual duas
criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua, de
esposo para esposa, de companheiro para companheira, de um coração ao
outro e vice-versa, tudo para a criação e desenvolvimento de valores da
vida, principalmente quando se baseia numa responsabilidade recíproca em
que na comunhão um se entrega ao outro, corpo a corpo, não deve haver
qualquer desconsideração entre si.
Ao passo que as obrigações mútuas não são respeitadas no ajuste, a
comunhão sexual injuriada ou perfidamente interrompida costuma gerar
dolorosas repercussões na consciência, estabelecendo problemas de
difícil solução para futuras reencarnações, porquanto, ninguém fere
alguém sem ferir a si mesmo. Havendo esse desequilíbrio irrompem vários
conflitos asfixiando a compreensão e atraindo vibrações contraditórias,
juntadas com as complexidades emocionais adquirem uma feição
quase insolúvel. Para tal, nas bases da família haja a necessidade do
conhecimento da lei de reencarnação, com pleno exercício da lei do amor
nos recantos do lar, para que este não se transforme de bendita escola
num reduto de neuroses onde sempre hospedam torpezas difíceis de reversões.
Creio, salvo melhor juízo, nas Esferas Superiores a ligação entre dois
seres é espontânea, composta de vínculos de afinidade irresistível. Por
isso, as pessoas de boa vontade estão trabalhando para que na Terra do
futuro esses liames afetivos obedeçam a idêntico princípio citado
neste parágrafo. Vê-se mesmo na nossa Escola de hoje, a existência de
milhares e milhares de criaturas que já desfrutam no próprio estágio
encarnatório dessas uniões ideais, psiquicamente jungidos uma à outra,
sem a obrigação de relações sexuais, apoiando-se mutuamente na formação
de obras preciosas na esfera do espírito.
No entanto, afora isso, milhões de espíritos detidos na evolução
primária estão estendidos na nossa querida Terra, arraigados em
compromissos árduos perante a lei de causa e efeito, ainda inclinados
aos desequilíbrios e aos abusos, exigindo severas normas humanas para a
regulação das permutas sexuais que lhes dizem respeito, de maneira que
não se façam salteadores impunes na construção do mundo moral.
Os compromissos assumidos por essas legiões de companheiros condutores
de entendimento difuso para os temas do amor, indicam a existência de
milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de erros
passados confere a numerosos ajustes sexuais, sejam ou não resguardados
pela aprovação das leis humanas, o aspecto das uniões de leais expiações
se baseia na evolução pela estrada do sofrimento. De um modo ou de
outro, deva-se reconhecer a inexistência neste planeta, de conjugações
afetivas, sejam quais forem, sem raízes no principio de causa e efeito,
pelo qual nossas responsabilidades são casadas em comum.
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