
Autoritarismo versus permissividade
Élson Mota
Contribuição de Marisa G. Alvim
É comum nos dias de hoje, encontrarmos distorções acentuadas sobre o
significado do autoritarismo e da permissividade, quando pensamos na educação
familiar.
Há tempos, as referências apresentadas a nossos filhos tinham um aspecto
constante de infalibilidade, havendo raramente questionamentos sobre a
fragilidade desta ou daquela referência apresentada. Os professores, médicos,
advogados, juízes etc; os líderes religiosos, famosos e intelectuais eram
comumente vistos como exemplos completos a serem seguidos em quaisquer
circunstâncias. Muitas das vezes, olhamos para as nossas referências como um
verdadeiro baú de virtudes, onde tudo era visto como modelo a ser seguido.
Com a globalização e o conseqüente aumento do acesso a informação, podemos
observar o questionamento de certos valores, antes considerados perenes, que de
certa forma acabou determinando um tom de insegurança na educação e na
orientação de nossos jovens.
Muitas vezes esse conflito acaba gerando atitudes que variam normalmente entre
dois extremos:
De um lado encontramos aqueles pais que tentam impor seus conceitos de forma
agressiva, não valorizando o potencial de seus filhos e exercendo uma atitude de
aparente domínio, mas que com freqüência causa um quadro de baixa alto estima e
insegurança, acabando por desenvolver nessas crianças um comportamento
depressivo ou uma reação opositiva;
Por outro lado vemos atitudes que refletem insegurança e medo dos próprios
pais em não serem aceitos por seus filhos, fazendo com que estes acabem
exercendo um papel de domínio sobre a família, gerando desconforto e prejuízo
para ambas as partes. É comum nesses casos observamos um comportamento nesses
filhos caracterizado pela inversão no papel da autoridade na família.
É de extrema importância tentarmos exercer um processo educativo baseado na
identificação comportamental de nossos filhos, no entendimento de seu papel como
indivíduos.
Melhor seria, antes de pensarmos no que queremos para nossos filhos,
respondermos a seguinte questão: Quem é esse ser humano a quem desejamos educar
e ajudar? Quais são as suas características comportamentais, suas aptidões e
suas dificuldades? Só assim poderemos, de verdade, chegarmos mais perto do
melhor método para exercermos nossa missão de educadores.
É mais do que sabido que não existem fórmulas mágicas que nos garantam a
infalibilidade dos métodos aplicados, mas entendermos que muito podemos aprender
com os conhecimentos e as técnicas da medicina comportamental e das terapias
cognitivas.
De certa forma podemos afirmar que existem fatores positivos na quebra das
referências infalíveis e completas, pois afinal é importante reconhecermos que
todos temos dificuldades, qualidades e defeitos, e que essa revelação não
invalida o valor do ser humano e de sua obra. Ao contrário, passamos a construir
uma estrutura mais próxima da verdade e da clareza.
No entanto, não podemos de forma alguma abrir mão do nosso papel de pais, que
mais do que amigos temos a obrigação de dispor a nossos filhos um sistema
educacional que os preparem para a vida e os possibilitem a dar o melhor de si.
Quando necessário, a ajuda de um profissional, médico ou psicólogo, é sempre bem
vinda.
Entre autoritarismo e permissividade? Mais uma vez o equilíbrio está próximo do
meio. Se trocarmos a palavra autoritarismo por autoridade, e pensarmos em uma
partida de futebol, talvez um placar de 3 a 2 com vitória da autoridade seja um
número bastante interessante.
Vale aqui lembrarmos de forma diferenciada, as palavras de Che Guevara: Hay
que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.
Contribuição de Marisa G. Alvim, maio de 2005
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