Divulgar o Racionalismo Cristão em gestos, atitudes e ações

Eliane Ramos

O pensamento antecede as ações. Assim, tudo que é feito, todos os atos dignos ou indignos são resultados de pensamentos também dignos ou indignos. A vida fora da matéria, 23ª ed., p. 33

Gostaria de dividir com todos vocês um acontecimento muito interessante e recente que se passou comigo.

Apesar de não gostar muito de fazer visitas a hospitais por não me sentir bem nesses ambientes do qual só faço uso em extremas necessidades, fui visitar uma amiga que estava com a mãe há 54 dias na UTI do hospital próximo a minha residência. Antes de sair de casa, como sempre faço, elevei o pensamento positivamente para que pudesse enviar boas energias a esta senhora tão enferma.

Então, segui em frente com pensamento elevado. Assim que entrei no hospital me choquei bruscamente com uma senhora que vinha andando e com um copo de plástico contendo água, em suas mãos. Assim que senti o frio da água sobre meu corpo e vi minha roupa molhada, meu primeiro pensamento foi o de reclamar com esta distraída senhora para que andasse com mais atenção e calma, principalmente dentro do hospital.

Ao levantar a cabeça e olhá-la nos olhos, me lembrei imediatamente do motivo pelo qual eu estava ali e busquei de dentro de mim, todo amor que procuro sempre nutrir por meus semelhantes e ao olhá-la olho no olho, ao invés de reclamar, dei um sorriso e ela me pediu desculpas.

Neste momento, olhando aquele rosto triste forçando um sorriso suave com a única intenção de se desculpar não resisti e perguntei se ela estava bem e se queria que eu fosse pegar outro copo com água para ela. Tamanha foi minha surpresa quando as lágrimas tomaram o lugar do sorriso forçado e ela me disse que estava correndo para avisar sua filha que o pai acabara de falecer.

Desviei meu trajeto da visita a amiga e segui com aquela senhora até a recepção onde ela se encontrou com a filha, deu a notícia triste e ambas abraçadas choraram por alguns minutos. Não consegui sair daquele local, parecia que meus pés estavam presos no chão. Pensei, "mas nem as conheço! O que estou fazendo aqui? Vou embora agora mesmo." Mas meus pés permaneciam imóveis.

Então, ambas se sentaram e eu só consegui me locomover para ir ao bebedouro onde peguei dois copos com água e me dirigi a ambas, me sentei junto delas e ofereci a água.

Ambas agradeceram, pegaram o copo com as mãos tremendo, beberam a água e começaram a se desabafar comigo como se fôssemos amigas há anos!

Em pouco tempo elas me contaram resumidamente suas vidas e fatos marcantes que vivenciaram junto ao senhor que havia falecido e que deixaria profunda saudades. Ambas estavam muito tristes com a grande perda que acabara de sofrer.

Por desconhecerem a vida fora da matéria, repetiam incansavelmente as frases: "Ele acabou? Como pode alguém tão bom, tão justo, tão honesto, que ajudou a tanta gente ter acabado assim? Acabou, acabou!" E o desespero tomava conta cada vez que repetiam tais palavras. Não resisti ouvir tamanhas inverdades e tomada por um impulso ainda maior, interrompi carinhosamente as lamentações de ambas dizendo que elas estavam completamente enganadas e que este senhor não tinha se acabado, pelo contrário! Ele estava continuando...
— Como assim?, questionou a senhora.

E eu continuei:
— Queridas, compreendo perfeitamente a dor que ambas sentem neste momento, mas, estão erradas ao pensar desta forma, a morte não interrompe a vida, pois ela continua com a evolução do espírito, o que acaba aqui é a matéria que, por estar debilitada, o espírito, que é a força que vibrava sobre ela lhe proporcionando a vida física, teve a necessidade de se desligar e com o desligamento do cordão fluídico deu-se a morte física deste senhor tão querido por vocês.

Mas agora, como vocês mesmo mencionaram aqui que se tratava de um ser humano bom, correto, cumpridor de seus deveres de pai e marido, com toda certeza este senhor foi amparado por espíritos de Luz que o conduzirão a seu mundo espiritual onde ele terá a oportunidade de ler o quadro fluídico de suas ações.

Nesta parte fui interrompida pela filha que me perguntou:
— O que é isso?

Eu continuei:
— Ele terá a oportunidade de ver todos os seus erros e seus acerto e será o juiz de si mesmo! Fará o seu próprio julgamento de tudo que fez de bom e ruim e lá, depois da leitura do quadro fluídico de suas ações. ele optará por uma nova encarnação se necessário for, caso não seja seguirá rumo a sua evolução espiritual.

Quando terminei de falar, as duas estavam paradas me olhando, como se estivesse se alimentando das palavras que ouviram. Precisei parar pois o meu celular tocou, era a amiga que fui visitar, para saber se eu estava chegando, pois já estava quase no final do horário da visita. Na realidade eu já estava no local, só tinha desviado o caminho. Precisei me despedir das duas e ao sair a senhora pediu desculpas novamente e agradeceu perguntando de onde eu havia tirado tantas palavras bonitas e de conforto para um momento tão delicado. Aproveitando a oportunidade, convidei ambas a conhecerem o Racionalismo Cristão, passei o endereço de nossa filial aqui em nossa cidade e deixei ambas sem ver nenhuma lágrima em seus olhos, e o semblante parecia outro, mais firme, seguras de quem sabiam que seu ente querido estava bem.

Saí, fui visitar a amiga, o horário de visita já tinha acabado, só pude dar um abraço na minha amiga e não consegui ver a mãe, me desculpei e fui compreendida.

Alguns dias depois minha amiga me telefonou dizendo que sua mãe teve alta médica, fiquei muito feliz, e com a certeza de que minha ida ao hospital naquele dia não foi para uma visita a uma enferma física, mas sim a duas almas carentes de conforto espiritual!

Tenho certeza que ainda irei me deparar com ambas dentro da nossa filial racionalista cristã, porque na vida, nada é por acaso e a semente foi plantada.

Petrópolis, Dezembro 2010

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo