
Pode-se restringir ao espírito o uso de seu livre-arbítrio?
Adelina Bermudez Gonzalez, Ana Paula Oliveira, Dirceu de Mattos e Wilson Candeias Moita
A liberdade reside no âmago das aspirações humanas, o homem desde sempre
procurou a liberdade, fugindo das intempéries encontrou soluções adequando-se a
novas situações e a novos lugares. Mas é sem dúvida com liberdade que
o ser encontra prazer em viver e constrói uma personalidade saudável.
A liberdade é um componente vital ao homem, faculdade de agir de um ou
outro modo, ou de não agir, por seu livre-arbítrio.
O livre-arbítrio é uma faculdade espiritual que significa liberdade plena de
ação, tanto para o bem como para o mal, dirigida pela vontade e
orientada pelo raciocínio.
Quanto maior o poder de raciocinar, maior a evolução espiritual do
ser, maior possibilidade tem de aperfeiçoamento em usar o seu livre-arbítrio
sempre na prática do bem e na promoção gradativa da sua evolução espiritual.
Pois à medida que aumenta este acervo, mais acentuado e apurado será o
seu viver, mais seguro o comedimento no uso do livre-arbítrio, pois
através das escolhas que faz na vida vai desenvolvendo cada vez mais as suas
faculdades espirituais inerentes ao seu progresso na escala evolutiva, e as suas
necessidades são projetadas para produzir o bem, orientadas pela sua vontade
inquebrantável de cultivar meios saudáveis e de plena harmonia.
O mau uso do livre-arbítrio revela a falta de capacidade de raciocinar, e a aplicação e
cultivo de sentimentos inferiores, vícios e maus costumes, que
precisam ser superados.
Jamais o ser humano poderá usar o seu livre-arbítrio como uma arma contra
os semelhante, pois essa prática constitui um crime da mais alta
condenação a nível espiritual.
Usar o livre-arbítrio para injuriar, intrigar, escarnecer, caluniar e
desmoralizar o próximo é crime, não visível muitas vezes pelas leis
humanas, mas profundamente analisado no cerne das leis espirituais, e estas
são infalíveis e plenamente justas quando aplicadas ao próprio espírito que as
cometeu, pois será ele o juiz perfeito dos seus atos indignos, e é ele que se submete
ao próprio julgamento, quando livre das influências terrenas em seu próprio
mundo espiritual.
"Entendo que em um só momento seja restringido o uso do
livre-arbítrio, que é quando o astral superior iça o espírito que estava
perdido na atmosfera da Terra." Carlos Alberto Aires Yates
Assim, o espírito desencarnado perde parcialmente o uso de seu livre-arbítrio, em reuniões
de desdobramento ou públicas quando este se manifesta
sob o estado perturbativo por estarem quedados na atmosfera da Terra, ficando
assim sob orientação de espíritos esclarecidos de sua composição astral e
física, então, daí partindo para o seu mundo de origem para analisar suas ações
no seu quadro fluídico.
Contudo o livre-arbítrio quando encarnado também é restringido ao
espírito quando sobre ele incidem fatores externos e/ou internos a si
próprio.
Os fatores externos estão ligados ao seu mundo físico e social.
Recuando na história humana, podemos recordar a escravatura, a
exploração a todos os níveis, a restrição aos direitos humanos ou a prisão,
são pois exemplos impeditivos de desenvolver a liberdade no ser.
Quanto aos fatores internos a si próprio, podemos salientar aqueles
que comandam o mundo psíquico do ser humano, e entre eles destacamos o medo, a
ansiedade, a angústia, os transtornos emocionais ou quando perdem seus
valores deixando-se dominar pelos vícios obsedantes. São exemplos que restringem o
espírito de usar o seu livre-arbítrio bem direcionado.
Mas a maior restrição à livre escolha é aquela que algema a alma, que
controla a sua inteligência limitando a sua capacidade de raciocinar. Esta é
a maior prisão humana, a prisão das emoções e estas são comandadas pelos
pensamentos negativos, ansiosos e estressantes.
Contudo, a este nível, pode-se concluir que nenhum ser humano é
completamente isento ou alheio a estes fatores que o condicionam, sim,
nenhum ser humano é completamente saudável nesta área, em cada um, existe algum tipo ou
grau de dificuldade em gerir completamente todos os pensamentos ou emoções,
pelas correntes negativas e deletérias próprias dos mundos-escola, portanto
praticamente iniciando a evolução.
Contudo, ressalvamos um exemplo maior de superação do cárcere do medo, da
ansiedade e dos momentos de maior tensão, da capacidade de conseguir
ultrapassar situações de extrema tensão e brindar à vida respostas de grandeza
espiritual e intelectual. E esse exemplo foi Jesus, o Cristo, de quem podemos
retirar o maior exemplo da vida e superação!
Assim ultrapassar estas prisões psíquicas que ao longo da vida
construímos, muitas das vezes na infância, ou ainda encontradas no mais
profundo arquivo espiritual é a grande meta para a inteligência e para o espírito,
aprender a usar estas dificuldades como um alicerce para atingir a sabedoria
e o equilíbrio, sublimando cada barreira encontrada no caminho.
Novembro 2010
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