
Engenharia genética e DNA
Valfredo Melo e Souza
DNA é a sigla inglesa de desoxyribonucleic acid ou ácido desoxirribonucléico (ADN) em português. É a essência do material genético que se recebe, metade do pai, metade da mãe. Coisas da engenharia genética. Todas as células do nosso corpo possuem o DNA, molécula que contém a informação genética que determina as características do indivíduo. No ato da fecundação, o espermatozóide do pai se une ao ovócito secundário da mãe e ambas informações genéticas são agrupadas na célula resultante, o zigoto, que origina nossas células.
Mas o estudo da hereditariedade é complexa e toma corpo em 1866, com a publicação da monografia Experiências em hibridação de plantas, de Gregor Johann Mendel (1822-1884), monge agostiniano que nasceu na Áustria e viveu em Brünn, Tchecoslováquia. Em seu jardim, ele iniciou um estudo de hibridação das plantas e entendeu o enigma da hereditariedade. De 1856 a 1864, ele observou 10 mil espécimes. Dentre todas escolheu a ervilha para material de suas experiências. A fisiologia sexual da flor da ervilha é ideal, pois é autofertilizante, contendo os elementos do sexo masculino e feminino bem protegidos da contaminação pelo pólen de outras plantas. Ademais, há variedades distintas.
Mendel passou dois anos testando sementes de 80 variedades, para certificar-se de sua pureza. E separou sete partes de cada, para estudo. A forma das sementes maduras: redonda ou irregular; cor das folhas: amarela, ou verde; cor da semente: marrom acinzentada ou branca; forma das favas maduras: inchada ou murcha; cor das favas antes de amadurecer: verde ou amarela; posição da flor ao longo da haste principal: no cacho ou na ponta da haste; comprimento da haste: longa. ou curta.
Observou que entre as variedades de ervilhas havia uma gigante (de até 2 metros) e anãs (menos de 60 centímetros). Mendel cruzou as duas e, para surpresa, todas produziram gigantes.
Na geração seguinte, porém, houve três gigantes e uma anã. Na quarta geração, as sementes das anãs produziram somente anãs. Mas as sementes das plantas altas produziram tanto gigantes como anãs.
Mendel registrou que de seis plantas altas, duas davam só plantas altas, nada mais, enquanto as outras quatro produziam na proporção de três gigantes para uma anã. Esta proporção se manteve por todas as gerações seguintes. Em cruzamentos sucessivos dessas espécies, a proporção se manteve.
O estudioso concluiu que, em algum ponto da constituição hereditária da planta, havia "unidades", agora chamadas gens que determinavam o caráter. As mais fortes ele chamou determinantes. As mais fracas, recessivas. Prosseguiu com os cruzamentos e concluiu que os gens "recessivos" não são destruídos ou perdidos mas ficam simplesmente latentes ou subjugados, prontos a produzir efeitos sobre a proporção definida de gerações subseqüentes. Os gens permanecem puros indefinidamente, nunca se misturando.
Esta é uma parte do relatório sobre o trabalho que realizou, apresentado à Sociedade das Ciências Naturais de Brünn, em 1865 (Versuche uber Pflanzen-Hybriden), logo publicado.
Lamentavelmente, só após 16 anos da morte de Mendel (1900) é que o mundo científico tomou conhecimento da extraordinária importância das suas descobertas. As experiências foram repetidas, as descobertas confirmadas e o estudo da genética tomou grande impulso até se tornar uma das mais dinâmicas ciências biológica.
Um século depois, a precisão das leis de Mendel foi confirmada por muitos pesquisadores que estudaram sexo, citologia, embriologia, albinismo, eugenia e hereditariedade. O exame de DNA hoje é coisa popular. Todos conhecem seu significado.
O autor é Escritor
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