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Presente recusado é de quem o oferece

Tharsila Prates

Para esta entrada de Ano Novo, transcrevo história reescrita pelo médico Luiz Alberto Py. Vi o artigo no mural de uma empresa no Rio de Janeiro e um guarda, gentilmente, tirou cópia para que eu levasse comigo. Na hora, pensei nos leitores de A Razão.

A reflexão abaixo serve para começarmos 2006 com um importante alerta: devemos cultivar a calma e o amor ao próximo. Assim, podemos contribuir com um ambiente mais tranqüilo e mais propício para a prática de boas ações e, conseqüentemente, para a nossa evolução neste mundo. Feliz Ano-Novo!

* * *
Perto de Tóquio, vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Um dia, um guerreiro, conhecido por sua falta de escrúpulos, apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para perceber os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama.

O velho aceitou o desafio. Foram para a praça e o jovem começou a insultá-lo, ofendendo até seus ancestrais. Fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No fim da tarde, já exausto e humilhado, o guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de o mestre aceitar tantos insultos, seus alunos perguntaram por que ele não reagira.

— Se alguém chega até você com um presente e você não o aceita, a quem pertence o presente? perguntou o samurai.

— A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.

— O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos, disse o mestre. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas só podem lhe tirar a calma se você permitir.

A autora é Jornalista

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