
Relevantes aspectos da encarnação e reencarnação
Vantuil Fazollo
Na desencarnação, o espírito retira-se do seu corpo carnal
Sempre que nos propomos a abordar qualquer tema, necessário se faz que comecemos pela definição desse tema, não importando que se tenha que enveredar pelos aspectos polêmicos que fazem parte do mental humano, já que vivendo cada categoria de terrestre períodos evolutivos diversos neste cadinho depurados de espíritos – o mundo escola Terra –, numa convivência de 17 classes distintas de espíritos que o compõem, de qualquer sorte, surgem as controvérsias, mas que, se bem conduzidas, pode-se vislumbrar o alcance da Luz que um dia, com o passar dos séculos, forçosamente, virá.
Para falarmos em encarnação e desencarnação em seus aspectos mais importantes, numa fase já mais evoluída, temos que começar pelo ser humano, deixando para trás a encarnação e desencarnação do animal irracional que antecede, em escala evolutiva, o homem, onde o instinto é substituído pelo raciocínio.
Pode-se assim deduzir, porque todo ser humano é detentor de um espírito que, por sinal, é, sem dúvida, uma partícula da Inteligência Universal que tudo rege na imensidão das incontáveis galáxias e de todo o incomensurável universo, de onde um dia emanamos numa condição assaz primária para iniciarmos a evolução.
A propósito, desde já, parafraseando o notabilíssimo médico João Baptista Cottas, dizemos que "o espírito é uma força ativa, inteligente, poderosa, que se utiliza da matéria para a formação do átomo, mais tarde da molécula, e, por último, do núcleo, cuja vida se vai acentuando e aperfeiçoando através dos reinos mineral, vegetal e animal, dando origem a microorganismos.
Desses pequeninos organismos faz a partícula da força a sua evolução através de outras espécies de maior desenvolvimento, atingindo formas mais elevadas."
No que tange à encarnação e/ou reencarnação – dependendo, naturalmente, se se trata da primeira vez ou outra encarnação em corpo humano, após a primeira vez –, constitui-se a "construção", molécula por molécula, pelo próprio espírito encarnante, que assiste e acompanha a formação do feto (corpo físico) num período de gestação de cerca de nove meses, e que dele toma posse após o nascimento e a ele se une por cordões fluídicos ligados ao coração e ao cérebro. Oportuno se faz salientar, ao ensejo, que todo o desenrolar desse ato ocorre sob estrita e rigorosa obediência à Lei Psíquica Natural e Imutável da Natureza.
Já a desencarnação – via de regra temida, sobremaneira, por boa parte dos habitantes terrenos –, pode ser explicada, segundo os dicionaristas, do seguinte modo: "Desencarnar: Deixar a carne; passar para o mundo espiritual. Morrer. Abstrair os aspectos vitais e históricos de (uma doutrina religiosa) conservando-lhe um caráter por demais abstrato."
Entrementes, na lógica e natural concepção do Racionalismo Cristão, definida pelo festejado médico Dr. Cottas, hoje integrando a plêiade dos espíritos do Astral Superior, assim é anunciada: "Desencarnação consiste em o espírito retirar-se do corpo carnal, juntamente com o corpo astral. Os cordões fluídicos que lhe serviam de elo se desprendem do corpo físico e este, sem vida, inerte, passa a ser um composto de matéria, que desintegrada, vai compor outras formas orgânicas"; continua, enfim, a evolução.
É preciso deixar claro que o espírito não encarna partindo do mundo escola Terra para formar outro corpo carnal, ou seja, partindo do astral inferior que existe na atmosfera terrestre. Sempre – não há outro modo de ser conjeturado –, o espírito que desencarna – morre o corpo carnal, por assim dizer – e que não alça, de pronto, ao seu mundo de estágio passa a integrar, com seu corpo astral, o astral inferior (atmosfera da Terra).
No astral inferior – não importando a quantidade de anos que ali esteja ou viva – não existe qualquer hipótese de progresso, em nada adiantando o grau de cultura que tenha conseguido na vivência física na Terra ou concepções filosóficas ou religiosas adquiridas, e, então, para reencarnar e continuar a fazer seu progresso espiritual, terá que voltar ao seu mundo de estágio, de conformidade com a sua classe espiritual, para conscientizar-se de suas vidas pregressas e voltar a encarnar (ou melhor dizendo: reencarnar), sujeitando-se, naturalmente, à considerável fila de espera que é inexorável, implacável, desapiedada e austera, de vez que lei natural da encarnação, reencarnação e desencarnação é imutável e todos têm que a ela se sujeitar.
O autor é Advogado, Militante da Casa Chefe
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